quinta-feira, 13 de março de 2008

Nasci ... (Capítulo 5)

Foi assim que vim para este planeta. Às 14h45min de uma quinta-feira. Nasci para o mundo. Vó América contava que meu pai chorava feito criança, dava dó ver o velho Gilberto (quando nasci ele já tinha completado 51 anos) recebendo a notícia de que era pai de uma linda menina (foi o que disseram, vá lá).
Menina?!
Pois é. M-e-n-i-n-a! Tia Tereza estava certa. Realmente certa. Inegavelmente certa, a máquina falhara e a emoção e a intuição prevaleceram. Menina.

- E agora, que nome dar? – indagava a família em suspense, esperando minha mãe acordar.

Sim, porque depois que passou o efeito da anestesia, minha mãe caiu em sono profundo, acredito que oriundo do cansaço e desgaste emocional.
Meu pai contava que, ao ser levada para o quarto, mamãe lutava bravamente contra o cansaço, querendo confirmar o sexo da criança:

- Gil (ela sempre o chamava assim), é menino ou menina? – questionava para cair em exaustão logo em seguida, não se dando conta de que a previsão de minha tia Tereza estava certa.
Ela levou dois dias para ficar melhor e saber do sexo da criança.
Já em casa, a grande dúvida se abateu sobre a família. Afinal, todos (aliás, quase todos) tinham a certeza absoluta de que era um menino e que se chamaria Paulo Marcelo! Aí chego euzinha e atrapalho todos os planos, desconcertando a família. Afinal, ninguém tinha pensado na hipótese de um nome feminino.
A escolha de Paulo Marcelo foi uma concordância do clã Giffoni de Barra Mansa. Seria uma forma de homenagear meu avô Fausto, que fazia aniversário no dia 11 de abril. Ele sempre quisera ter um filho com o nome de Paulo. Ele teve quatro: Tereza (adotiva), Carla e Plínio. Entre minha mãe e meu tio, teve um menino, que nasceu morto. Minha Dindinha (irmã de minha avó materna) contava que na época mamãe era pequena foi ela quem escolheu o nome do rebento que nasceria: Pafúncio! Sim, isso mesmo: Pafúncio.
Mamãe, segundo Dindinha, andava pela casa dizendo a todo momento:

- Meu irmãozinho Pafúncio, meu irmão Panfúncio vai nascer! – dia após dia.

Isso traumatiza, né? Hoje sabemos que a criança que está na barriga da mãe sente e ouve o ambiente fora. Coitado. Acredito que se enforcou ao saber que poderia ser batizado com prodigioso nome. Mesmo não acreditando que o suicídio seja a solução para os problemas da vida, entendo meu ex-futuro tio Fufu – sim, era assim que o chamaria, se tivesse sobrevivido.

2 comentários:

Ana Lygia disse...

Ô, Carla... então quer dizer que parte do seu clã vem da mais aprazível cidade do interior paulista, quiçá do Brasil? kkk
Sua escrita é precisa, aconchegante e nos aproxima tanto que faz o texto parecer aqueles deliciosos "dedinhos de prosa", que lá em Guará são regados a café e bolo e que duram uma tarde toda.
Bela história, delicioso texto... Parabéns

Júnia disse...

Querida Carla!
Fico muito feliz em ler essas belezas que tem escrito!
Uma linguagem aprazível, como daqueles que sabem bem contar "causos".
Parabéns!!!