terça-feira, 11 de março de 2008

Nasci ... (Capítulo 4)

Fezinha chegou no dia 31 de janeiro e o combinado foi que eles descansariam alguns dias e depois minha mãe e ela seguiriam para o Rio munidas de malas para trazer o enxoval para o Paulo Marcelo (vamos combinar que o nome será esse, pois sempre confundo a ordem, ok?).
Chegou o dia 1º de fevereiro e no dia 2 elas viajariam para a capital Fluminense. Só que vovô Fausto não deixou. Disse que mamãe deveria ir ao médico antes. Se esse liberasse, ok. Mamãe ainda relutou muito:

- Mas eu estou me sentindo bem, papai!
- Você vai ao médico e está acabado
– sentenciou vô Fausto no alto de sua autoridade paterna.

Como boa filha que era, mamãe enfiou a viola no saco e atendeu ao seu pedido-imposição.
Chegando ao médico, a surpresa:

- A senhora está em trabalho de parto e terá que ir para a sala agora.
- Mas como?! Não estou sentindo nada, absolutamente nada.
- Mas a senhora não pode viajar e precisa ir para a sala de operação.
- Ah, não, doutor! Hoje não vou ter criança nenhuma. Minha irmã fez um quiabo com angu e frango e vou lá em casa almoçar. Além disso, preciso fazer as unhas. Amanhã volto e tenho o bebê
– sentenciou a teimosa grávida.

Resultado: no dia seguinte ela foi para a maternidade. Lá chegando teve uma crise de pré-eclampsia. Sua pressão subiu muito e uma junta médica se formou ao seu redor. A criança – euzinha – queria sair, mas ela não podia ser operada. Ah, claro, esqueci de contar: ela não tinha passagem e precisaria de uma cesariana.
Depois de muitas idas e vindas, a junta conseguiu diminuir sua pressão arterial e levá-la para a sala de operação. Mais um problema surgiu: lembra que contei que minha mãe no inicio do casamento fez duas operações em menos de 24 horas? Pois é. A seqüela que ficou foi uma alergia a anestesia, principalmente as que tivessem efeito longo. Para se ter uma idéia, minha mãe, quando tratava de canal ou precisava arrancar um dente, era no muque.
E como operar uma cesariana sem anestesia? Eis a questão! Os médicos arrumaram uma que durava pouco, muito pouco. Veja bem: estou vendendo o peixe conforme me contaram. Nunca busquei saber até que ponto tal situação possa existir ou os termos técnicos exatos sobre o problema. Acredito no que a família contava e ponto.
Voltando. Então arrumaram uma anestesia que durava apenas 15 minutos. O médico tinha que abrir a barriga, me tirar, limpar e costurar em menos de 15 minutos! Meu pai contava, e vó América (que não era vó, mas uma vizinha muito querida que chamei a vida inteira de vó) confirmava, que quando o médico saiu da sala de operação, devido à tensão da possibilidade da perda da mãe e da criança, o calor insuportável típico da estação (lembre-se que nasci em fevereiro) e as luzes potentes da sala faziam que onde ele pisasse formassem-se poças, de tanto suor que escorria de sua roupa.

Um comentário:

Alexandre Vieira disse...

Carlinha...
E eu achando que já sabia muito sobre vc!!!...hehehe... Ler sobre vc, sobre como começou a vida dessa mulher que admiro, me faz chegar mais perto de ti...Parabéns pelo blog, como tudo que voce faz, está um primor... Um beijo e boa sorte!!!
XAN !!!