segunda-feira, 14 de abril de 2008

Testamento

Quando eu morrer, por favor, não chore: celebre a vida se aproximando mais desta Força Superior que habita em cada um.
Quando eu morrer, e espero que ainda demore algum tempo, lembre-se dos bons momentos que tivemos, nunca o que deixamos de viver.
Depois que partir, por favor, não me transforme em mito ou exemplo a ser seguido. Lembre-se que soltava pum, acordava com remela nos olhos, tinha TPM e, às vezes, apenas às vezes, aparecia eventualmente com comida entre os dentes.
No dia de minha morte, por favor, cubra-me com margaridas, nunca com rosas. Se não for época de florescerem, pode ser qualquer prima delas, que já serve.
Quero chegar onde tiver que chegar, coberta de margaridas que simbolizam para mim tudo que sempre busquei nesta vida.
Se a direção do cemitério deixar, plante na minha cova, ou então perto dela, um pé de jabuticaba. Deixe que meu corpo, que naquele momento deixei, sirva de nutriente para uma das mais belas árvores. A jabuticabeira é a minha preferida, principalmente quando está em flor. Quero que quando a árvore der os frutos, alguém possa dizer:

- Hummm, como a Mina tá gostosa este ano!

Tudo bem, admito que não fui a primeira a pensar nesta metáfora, mas gostei tanto da idéia de ser gostosa mesmo depois da morte, que reproduzi a frase aqui.
Caso morra de forma violenta, por favor, não se martirize pensando no quanto devo ter sofrido. Lembre-se da frase de William Shakespeare: “Há mais coisa entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”.
Se você orar ou mandar rezar uma missa, desde já agradeço.
Mas se quiser realmente me alegrar, trazendo luz ao meu espírito, por favor, ouça um Chico Buarque, um Tom Jobim. Ahhh, um Vinícius também serve, qualquer música popular brasileira de boa qualidade.
Ligue o som na sua sala de estar ou no quarto e dance, abra os braços e dance. Você não estará sozinho. Prometo estar contigo celebrando a vida!

PS: Mina é meu apelido de infância

Um comentário:

Despertar da arte do ser disse...

Adorei! Quando se pensa que a única coisa certa é a morte, se passa a parar de temê-la e se dá mais valor a cada momento.
Gostei demais deste texto.
E a trilogia das Margaridas? Quando vai sair a edição? Você merece, lembra?
Beijos.
É muito bom poder escolher amizades sadias e inteligentes como você.