quarta-feira, 23 de março de 2011

Acordar

A claridade invade o quarto entrando pelas frestas da persiana. Um ronco se ouve no ambiente. O relógio marca seis horas. A estridente campainha ecoa. A mão apalpa o ar até encontrar o aparelho e desligá-lo. A mão afasta devagar as cobertas, jogando-as no chão. O corpo lentamente se levanta, as pernas se põem para fora da cama. O som de um espreguiçar se ouve. O corpo toma impulso e se levanta da cama, arrastando as chinelas. A persiana é levantada e a claridade inunda o ambiente. As chinelas se arrastando dirigem-se ao banheiro. A porta é fechada com um estrondo. Silêncio. Ouve-se a descarga da privada e, em seguida, o som de um chuveiro sendo aberto. Um cantar desafinado se escuta. O chuveiro é desligado. Silêncio. A porta do banheiro se abre de repente. As chinelas se arrastam e formam pequenas poças de água, molhando o tapete desgastado. A porta do guarda-roupa é aberta com um estrondo. A mão busca a calça azul, abre a gaveta e pega a roupa íntima e, em seguida, a camisa branca. As roupas são jogadas sobre a cama. O roupão cai no tapete e as mãos vão vestindo o corpo. Calçam-se os sapatos. A porta do quarto é aberta e os passos vão em direção à cozinha. No caminho, perto da porta,a mão pega o jornal. Na cozinha, a mesa posta, senta-se, abre o jornal e começa a tomar o café da manhã.

Nota da autora: este texto faz parte projeto COTIDIANO - LIVRO DE CONTOS.

2 comentários:

VIVER COM ARTE disse...

Carla, estou me encantando com seus contos. Tenho muito que aprender. A maneira como você conduz as palavras dá cores e texturas a cena. Brilhante! bjs e boa semana. Elaine Spani

Maria Letra disse...

Reconheço este texto. Creio tê-lo lido já. Ele reflete uma rotina a que a narradora parece estar já habituada, marcando na descrição de gesto, após gesto, o consequente enfado que provocarão em si. Gestos que parecem já automáticos, que me sugerem serem repetidos todos os dias...